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Sorrir

por aesperaparavoar, em 23.09.15

Sorrio. Não apenas com os lábios mas também com o brilho que transparece no meu olhar. Não estou feliz nem triste. Agora que o refiro, relembro como são aborrecidos estes dias em que nem estamos felizes nem tristes, mas sim num estado intermédio que acaba por ser um pouco confuso. No entanto, sorrio. Faço questão de sorrir com frequência, de expôr este que é, muito provavelmente, o meu maior trunfo. Sorrio por saber que todos os dias são uma nova página deste livro em constante atualização. Por saber que cada dia é uma dádiva, uma oportunidade de fazer mais e melhor, de lutar, de arriscar, de concretizar sonhos e de ser feliz. 

Questiono-me frequentemente se estarei a viver a vida com a "intensidade certa". Depressa percebo que não existe uma "intensidade certa", mas sim diferentes formas de encarar o dia-a-dia e a vida no seu todo. Ultimamente tento levá-la maioritariamente a sorrir e descobrir o melhor das coisas, dos momentos, das pessoas, e percebi que, salvo raras excepções, há sempre uma parte boa, embora muitas vezes a ignoremos por ser a má a que mais se evidencia. 

Nos últimos tempos tenho também aprendido a estar mais tranquila. A viver as coisas com a devida emoção, a sentir as coisas como é suposto sentir ou simplesmente à minha maneira, mas, acima de tudo, a estar de bem com a vida e comigo mesma. A fazer as pazes com as minhas fraquezas e a fazer delas fortalezas. E aos poucos, a bagagem que me acompanha ganha outra dimensão, torna-se sobretudo uma aprendizagem e uma experiência, e as preocupações transformam-se numa vontade ainda maior de viver e de sonhar. E as lágrimas dão lugar a sorrisos, uns mais seguros do que outros, mas sempre com o desejo de continuar a caminhar, sempre em frente...

 

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publicado às 19:57

"O Primeiro Voo" por Ana Ribeiro

por aesperaparavoar, em 20.09.15

Como referi num dos posts anteriores, faz já alguns dias enviei os meus dois livros para a Ana Ribeiro do blogue Escreviver - [Portefólio de Escrita] que, para minha admiração, os leu num piscar de olhos. Depois de me ter dado a sua opinião sobe o primeiro livro que publiquei, partilho hoje convosco a sua crítica ao meu mais novo, o meu romance. Deixo-vos assim com a opinião da Ana, tal e qual como ela partilhou no seu blogue. Desde já, o meu muito obrigada!

 

"Mais um livro terminado. Terminei ontem este segundo livro da Ana Filipa Batista e que grande livro, posso começar por vos dizer. Que talento inigualável para a escrita (e volto a repetir o que já disse na resenha do primeiro livro da Ana, é que há bastante gente maldosa por aí. Os elogios que teço á Ana não são feitos pelo facto de comunicar frequentemente com ela; são sentidos. Acreditem que ela tem um talento gigante: mesmo!), estou oficialmente rendida (e vocês também vão ficar), vou querer ler muito mais livros dela e outras coisas. Espero que ela nunca pare de escrever.

 

“Aqui as pessoas têm pressa, uma pressa compulsiva como se cada minuto fosse uma vida, e se calhar é. Têm pressa de chegar, não sei onde, mas têm pressa de chegar, talvez aos empregos, às escolas para deixarem os filhos, pressa de encontrar quem espera por elas, pressa de viver”. (…)

 

Este livro da Ana superou largamente as minhas expectativas, nota-se uma evolução tão grande na escrita, tão madura (mais ainda que no primeiro sem de todo perder a simplicidade, que penso que caracterizará a maneira de ser e estar da autora), nada que eu não esperasse. Essa evolução na escrita tornou a história mais tocante, mais emocionante, mais envolvente, mais intimista capaz de nos prender até ao fim. O tipo de livros que adoro – ontem comecei a leitura ás 20h e acabei ás 23h -, é fácil gostar e deixarmo-nos levar. A escrita da Ana conquista e prende de tão rica que é, tão forte, tão madura e trabalhada, facilmente nos deixamos conquistar e nos esquecemos da idade da Ana, parece que escreve há anos.

Daí que este livro me tenha tocado imenso, é bastante intenso e a história está bastante bem conseguida, estruturada e organizada, houve capítulos (para não dizer todos) em que estava a viver o que estava a ler e isso é tão bom, vieram-me as lágrimas aos olhos. E eu adoro quando os livros me fazem sentir essa intensidade. Identifiquei-me com a Margarida, revivi momentos da minha vida com ela, nomeadamente os tempos de infância passados com a minha falecida avó tão parecidos aos da Margarida, revivi essa perda na perda que a Margarida vai viver na história.

 

“Acho que a verdadeira vida está longe daquilo que temos, acredito que vivemos muito mais quando nos afastamos do que possuímos e nos damos à vida, aos outros”.

 

Acredito que muitos jovens se irão rever na Margarida, nos seus sonhos, nas suas dificuldades, nos seus obstáculos: na sua luta, nas suas conquistas. A maneira de pensar e de agir. Talvez possa reflectir a situação precária porque os jovens passam hoje em dia.

Um leitura incrível que recomendo.

Aqui fica mais um parágrafo de que gostei:

“Agora sei que toda a gente se cruza na nossa vida por um motivo: uns dao-nos a força que precisamos para vencer os nossos obstáculos, outros obrigam – nos a provar a força que temos em nós. Todas essas pessoas são importantes, mais ainda quando, no final, temos a possibilidade de escollher quais delas queremos que fiquem para sempre ao nosso lado”."

 

Ana Ribeiro

 

 

 

Nota: O romance O PRIMEIRO VOO encontra-se disponível para venda em várias livrarias do país, bem como online, nomeadamente nas livrarias FNAC, Bertrand e WOOK. Caso o livro não esteja disponível de momento é possível encomendar.

Podem também adquirir exemplares comigo, e nesse caso o livro seguirá por correio, já autografado. 

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publicado às 14:33

Eu li e recomendo #2

por aesperaparavoar, em 17.09.15

Pois muito bem, ontem foi dia de terminar mais uma leitura e hoje vim a correr partilhar com vocês mais esta sugestão para que possam conhecer este fantástico livro escrito pelo André Fernandes, intitulado Tia Guida.

Já tinha ouvido falar muito, e muito bem, sobre este livro. Conheci este trabalho do André através do facebook e fiquei, desde logo, extremamente curiosa para o ler, sobretudo pelo tema delicado que aborda. Cancro. Este é um livro que narra o último ano de vida da Tia Margarida, tia do André e que se relaciona, sobretudo, com esta doença oncológica que, só pelo nome, nos assusta. Uma história escrita por alguém que amava muito esta sua familiar e que acompanhou de perto toda a sua doença e luta para a vencer. Os primeiros sintomas de que algo não estava bem com Guida não eram conclusivos, até que, em Agosto de 2011 chega, depois de vários exames feitos, a difícil notícia do diagnóstico. Cancro. Era este o nome da doença que andava a atormentar Margarida e que, dali em diante, lhe transformou a vida. 

Neste livro o André revela-nos como foi todo o processo, desde o diagnóstico até ao triste dia em que faleceu Margarida, num testemunho absolutamente comovente que nos dá conta de uma história que, embora delicada, é sempre muito cheia de amor. 

Devo dizer também que li este livro em apenas algumas horas, tal era a vontade de conhecer sempre mais um bocadinho. Nunca lidei muito de perto com o cancro (embora tenha já tido uma familar que morreu devido a esta doença), mas, a par da leitura do livro acabei por me apegar muito à tia Guida e a esta sua luta pela vida, o que não só mexeu com as minhas emoções como me deixou com uma lágrima no canto do olho por várias vezes. 

Não posso ainda deixar de referir que fiquei  também muito emocionada e surpreendida com a capacidade como o André, um jovem com apenas 21 anos, nos relata toda esta história, descrevendo-a de forma delicada e clara, demonstrando uma sensibilidade e paz que são admiráveis. 

Ao longo da minha leitura, muitos foram os excertos que me marcaram e que me fizeram parar para pensar sobre eles, são tantos que não consigo partilhá-los todos convosco, mas deixo-vos um:

“O cancro torna-nos iguais. Não há cores, nem credos, nem fama, nem nada que ele distinga. Há vidas”.

Por tudo isto, além de vos recomendar a leitura deste livro maravilhoso (que já vai na 5ª edição), gostava também de dar os parabéns ao André, por esta obra, por ter partilhado connosco este percuso e pela força e coragem com que viveu os momentos relatados, pelo amor com que os descreveu, enfim, por este testemunho incrível e pelas inúmeras lições de vida que nos transmite através dele. Parabéns, André!

 

 

Esta rubrica tem o apoio da Chiado Editora.

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publicado às 16:43

Pensamento de hoje

por aesperaparavoar, em 15.09.15

Boa noite!

Depois de um dia muito chuvoso e desagradável para quem teve de andar fora de casa, passo por aqui para deixar uma pequena partilha. 

Hoje pediram-me que autografasse o meu romance "O Primeiro Voo" para oferecerem a uma familiar. Como sempre, gosto de escrever, na primeira página, uma frase ou pensamento meus e só na segunda o dito autógrafo. 

A mensagem que deixei hoje, na tal primeira página, foi muito simples, mas é nela que me inspiro muitas vezes no meu dia-a-dia, daí tê-la partilhado com a leitora em questão.

Dizia:

Apesar de nem sempre a vida correr como gostávamos, ou até como sonhámos, temos sempre nas nossas mãos o poder de mudar a história se realmente não queremos que ela seja a nossa. 

Para que um sonho se concretize não basta desejar, é preciso acreditar, tentar, e não desistir.

 

 txtanium:queued xx

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publicado às 21:56

In "O Primeiro Voo" #2

por aesperaparavoar, em 13.09.15

Aqui as pessoas têm pressa, uma pressa compulsiva como se cada minuto fosse uma vida, e se calhar é. Têm pressa de chegar, não sei onde, mas têm pressa de chegar, talvez aos empregos, às escolas para deixarem os filhos, pressa de encontrar quem espera por elas, pressa de viver. Pergunto-me até que ponto essa pressa as impede de viver realmente ou as faz viver rápido demais o que efetivamente valerá a pena ser vivido.

Suspiro. Olho à minha volta, um gesto que repito imensas vezes. Perco-me muito em observações. Não está calor nem frio. A chuva não parece querer cair e o sol que de manhã se insinuou à minha janela, agora teima em se esconder. O ar não está tão leve como em tempos já o senti. Sinto um peso sobre os ombros, motivado pela preocupação de não arranjar um emprego. Para já procuro começar por um trabalho mais simples, que não exija uma experiência que não tenho. Ao mesmo tempo que penso no risco de cá estar, relembro-me como esta sensação de independência me apazigua. 

 

 

 

Nota: O romance O PRIMEIRO VOO encontra-se disponível para venda em várias livrarias do país, bem como online, nomeadamente nas livrarias FNAC, Bertrand e WOOK. Caso o livro não esteja disponível de momento é possível encomendar.

Podem também adquirir exemplares comigo, e nesse caso o livro seguirá por correio, já autografado. 

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publicado às 09:24

Na semana passada enviei os meus dois livros para a Ana Ribeiro do blogue Escreviver - [Portefólio de Escrita] e, qual não foi o meu espanto quando, no fim de semana a seguir recebo a sua opinião relativamente ao “Diário de Filipa – Peças de um puzzle”, após já o ter lido. Hoje deixo-vos com a opinião da Ana, tal e qual como ela a escreveu no seu blogue. 

 

"Terminei ontem este livro da Ana Filipa Batista, cujo trabalho conheci através de uma entrevista sua dada há alguns meses na RTP (como já tinha referido por aqui). Fiquei encantada com a sua enorme maturidade, com o à vontade para comunicar e com o facto de ter escrito este livro com apenas 12 anos (mas com uma mentalidade que se calhar a maioria dos adultos de hoje não têm) e já ter gerido dois blogues: o “Poesia a Brincar” (agora sem actualizações) e o ” Diário de uma borboleta” onde ela escreve com frequência. Fiquei curiosa para espreitar este último e foi a partir daí que comecei a seguir o trabalho da Ana: tanto no blogue como no Facebook. E fiquei deveras curiosa para ler os livros dela, gosto sempre de conhecer novos autores e ultimamente tenho conhecido muitos e bons.
Falando do livro, adorei imenso (mesmo!!!) e não digo isto pelo simples facto de ser amiga da Ana e falar com alguma frequência com ela e saber que ela vai ler isto. Digo-o porque de facto adorei mesmo o livro e recomendo-vos desde já a leitura porque vale mesmo a pena, diverti-me imenso, ri, emocionei-me, vivi, recordei.

Talvez achem estranho eu mostrar-me tão entusiasmada com um livro que basicamente é escrito para pessoas muito mais novas que eu. Mas na verdade, apesar dos meus 28 anos e de as leituras agora serem bastante diferentes daquilo que lia na adolescência, por vezes ainda gosto de ler livros como o da Ana. Continuam a entusiasmar-me pela sua simplicidade, acho que qualquer autor se inicia na escrita pela simplicidade.

Bem, provavelmente, a melhor forma de começar a falar propriamente do livro da Ana seja deixando a frase que ela escreveu no meu livro (já queria adquirir os livros dela há algum tempo, mas foram-me sempre aparecendo outros e fui deixando estes por adquirir. Há uns dias soube que ela tinha exemplares para venda e não perdi a oportunidade principalmente porque vieram assinados por ela e tem um significado diferente):

Vive a vida sem medo de lutar. Sonha e concretiza. Sê quem tu és. Atreve-te.

O livro da Ana fez-me recordar alguns livros que eu lia na adolescência como: “O diário de Sofia” e o “Diário de João e Joana”, fez-me reviver algumas fases da minha vida, e recordar como é que começou a minha paixão pela escrita, precisamente com a escrita de diários como este. Achei muito interessante a dualidade que  a Ana criou, foi através do diário que ela interagiu com o leitor, à medida que comunicava com ele comunicava connosco, dando a ideia de que o diário era também personagem do livro. Isto é realmente difícil de explicar; mas quando lerem o livro vão entender o que estou a querer dizer.

Encontrei na Ana maneiras de pensar idênticas ás minhas. Foi giro descobrir que temos realmente muitas coisas em comum e não apenas na escrita e isso ajuda a gostarmos ainda mais do que estamos a ler, a ficarmos viciados e “presos”, oferece um prazer particular. Adoro quando leio um livro e me identifico com quem o escreve.

A Ana leva-nos, neste livro, numa viagem bastante autobiográfica pela sua vida (ela costuma dizer que a personagem do livro não tem muito a ver com ela, mas eu acho que tem e muito. Leiam o livro e depois digam-me se partilham da mesma opinião) e onde ao mesmo tempo nos permite conhecer a sua forma de pensar e ver algumas situações pela quais ela vai passando (referentes à fase da adolescência) e que vai descrevendo. Poucas adolescentes com a idade da Ana teriam capacidade para escrever um livro tão maduro e reflexivo, com tantas lições de vida (às vezes acho que os jovens conseguem reflectir muito mais e melhor sobre as coisas que os adultos. E muitos adultos de hoje bem precisavam de ler este livro para aprenderem umas coisinhas com a Ana: verdadeiras lições de vida).

Leiam só este pequeno excerto do livro, um dos meus favoritos:

livro.JPG

in “Diário de Filipa – Peças de um Puzzle”

 

Aquele excerto que vocês lêem e de repente se esquecem que quem o escreveu só tinha 12 anos. Não parece, pois não? Também achei o mesmo, literalmente.

Se houve coisa que me impressionou e me surpreendeu imenso foi a forma de escrever da Ana com um vocabulário tão rico e tão maduro; mas ao mesmo tempo uma escrita simples e divertida capaz de deliciar quem lê e de manter o leitor agarrado ao livro até ao fim. Mal dormi na Sexta à noite com a ansiedade de ler mais (estou a falar muito a sério, não me podem chegar às mãos livros bons como este porque depois entusiasmo-me, quero sempre acabar e nunca posso no timing que me apetece. E isso provoca-me nervos xD)

Pelo meio da leitura encontrarão também textos magníficos – de prosa e poesia – da Ana, que ela já tinha escrito antes de iniciar o livro e que quis partilhar, acredito que adorarão ler. Eu adorei e fizeram-me pensar imenso. São realmente muito muito bons.

Tenho pena que muitas vezes, as editoras acabem por não dar o devido valor a autores bons como a Ana, era justa uma digressão pelas escolas de todo o país porque os jovens merecem conhecer e ler este livro e era uma boa escolha para o Plano Nacional de Leitura. Aprende-se muito a ler um livro divertido.

 

Deixo-vos de seguida algumas frases do livro que me deixaram a pensar:

“A amizade é um sentimento característico, só se sente por quem nos marca”.

“Cada amigo é uma pérola preciosa, uma dracma perdida, um tesouro por descobrir, um presente por desembrulhar, algo com um valor incalculável”

“Na vida, quem dá menos perde”

“A vida é um ponto de interrogação sobre o qual ainda muitos não se questionaram”.

“Há coisas que pensamos que nunca vamos fazer, há situações em que julgamos que nunca vamos estar. Mas como a vida muitas vezes é imprevisível… Nunca se sabe!”

Para já vou fazer uma pausa nos livros da Ana, nunca leio dois livros seguidos do mesmo autor para não deixar fugir a magia; vou terminar uma das leituras que ando a ler há imenso tempo e depois regresso para ler o primeiro romance da Ana: “O primeiro voo”. Estou curiosa, do que já espreitei parece-me que vou encontrar uma grande evolução na escrita.

Ana Ribeiro

  

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publicado às 09:40

Falemos de... #14 | Salto de paraquedas

por aesperaparavoar, em 08.09.15

Não é por acaso que este blogue se chama O Diário De Uma Borboleta. Desde muito pequena que, ingénua, tenho o sonho de voar, tal e qual borboleta.

A primeira vez que andei de avião senti um pouco como se fosse voar e delirei. Achei que era o máximo poder estar acima das nuvens e ver o mundo cá em baixo, e só depois descobri que gostava de ir ainda mais para além daquilo. Queria saltar de paraquedas e sentir, eu mesma, a sensação de voar e de estar lá em cima, mas desprotegida do conforto do avião, tal e qual pássaro ou borboleta. Tinha 13 anos e nunca mais me esqueci. Saltar de paraquedas tornou-se um sonho, um sonho muito especial. 

Para ser sincera, sempre fui pouco dada a medos. Tenho alguns receios, mas não tenho medos em concreto. Adoro desportos radicais e tudo o que se lhes assemelhe. Gosto de sentir adrenalina e de não me deixar afetar por medos nem "e se's" (acho que nisso saí um pouco ao meu pai, que também gosta destas coisas!). 

Depois de muitos anos a falar nisto, o meu pai decidiu oferecer-me, como prenda de aniversário, um salto de paraquedas. Fiquei feliz da vida! Fiz anos em Junho e o salto foi marcado para o dia 6 de Setembro (domingo passado), e eu não via a hora desse dia chegar... Mas ele chegou!

Desde que cheguei ao aeródromo de Évora, onde se encontra localizada a Skydive, que senti uma felicidade enorme. Depois de me equipar e de uma pequena aula com o meu instrutor, o Pedro, percebi que estava na hora de voar e senti-me com um misto de descontração e adrenalina que não consigo descrever. Estive sempre ali com o intuito de me divertir e nunca me vieram à cabeça outros cenários. 

Depois de 20 minutos de subida até aos 4200 metros de altura e de termos até visto um tornado lá de cima, chegou o momento de saltar. O meu pai também saltou (foi muito bom poder partilhar este momento com ele), aliás, foi o primeiro a saltar por motivos técnicos, e só depois, cerca de 30/40 segundos, saltei eu... É indescritível a sensação de ficarmos sem chão, de nos atirarmos e depois, quando o paraquedas abre, aquele momento de silêncio total... parece que somos apenas nós e o mundo, e sente-se uma paz, uma alegria que não consigo transcrever por palavras. Senti-me a voar e adorei. Gostei sobretudo do momento em que o Pedro (não podia pedir melhor instrutor) me deixou ser eu a comandar o paraquedas, foi inédito e sei nunca mais me irei esquecer. Diverti-me imenso e fui muito feliz durante todos aqueles minutos no ar. Tenho plena consciência de que não pensava duas vezes em repetir novamente esta experiência, aliás, tenho quase a certeza de que isso irá acontecer um dia mais tarde.

Desafio superado, aprovado e recomendado! 

 

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publicado às 09:35

Prisioneira (continuação)

por aesperaparavoar, em 03.09.15

A porta abre-se subitamente e eu estremeço. Sinto um arrepio e uma sensação de medo que nunca me foi característico.

- Camila! Já te dissemos que tens de alimentar, porque é que não tocaste no almoço?

A pergunta perde-se na falta de resposta. Não me lembrei de comer. Aqui não me reconheço, não sou eu, e não tenho muitas palavras.... desvanecem-se quase todas na angustia que me preenche os dias, e na revolta com que suplico para que me tirem daqui. Ninguém me ouve, ou então, fingem não ouvir. E eu volto a sentar-me no chão gelado, aninho-me e abraço as minhas pernas com toda a força que ainda me resta, depois poiso a cabeça sobre elas e fico assim horas e horas. Perdida. 

Ao jantar ouço novamente palavras semelhantes às do almoço.

- Carlota tens de comer para depois tomares os medicamente, anda, levanta-te! Come!

Arrasto-me pelo chão até chegar ao sítio onde o enfermeiro me deixou o tabuleiro e fico a olhá-lo fixamente. 

- Come! - repete-me, com frieza. 

É neste momento que, muitas vezes, as lágrimas me percorrem o rosto. A dor torna-se tão forte e insuportável que choro compulsivamente e dou por mim a implorar novamente que me tirem daqui, que ao menos me deixem ver a luz do sol e sentir o vento a baloiçar-me os cabelos. Já nem me atrevo a pedir que me deixem pisar a areia da praia e dar um mergulho no mar. E eu queria tanto fazê-lo.

Grito, mas, ninguém me ouve. 

 

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publicado às 12:36

Prisioneira

por aesperaparavoar, em 02.09.15

Permaneço aqui. Presa neste sítio frio e escuro onde me fecharam e me fizeram prisioneira deles e de mim própria. Supliquei várias vezes que não tivessem meiguices comigo, que me matassem logo em vez de me deixarem aqui assim, o que na verdade não é mais do que ver a morte a chegar de uma forma tortuosa. E pela primeira vez na minha vida sinto-me fora de mim. Atirada a um destino a que não vejo jeito nem modos. 

Limito-me a estar aqui, nesta sala fechada, tão vazia e ao mesmo tempo tão cheia... de silêncio, de pensamentos desengonçados que pairam no ar e que fazem no meu interior uma guerra constante. 

Manifesto muitas vezes a vontade que tenho de me ir embora, de me libertar deste sítio que só me trás tristeza e solidão. Respondem-me sempre o mesmo, que sou louca e que tenho de me curar. Pergunto-me muitas vezes se eles me querem curar ou enlouquecer ainda mais, e desejo outras tantas vezes ter insanidade suficiente para não sentir dor, para idealizar um jardim dentro destas paredes, um que traga uma lufada de cores e de ar fresco a este espaço de onde só quero fugir. E já me debati tantas vezes contra aquela porta, que só se abre para me trazerem a comida ou para me adormecerem com medicamentes, que me sinto sem forças. E é tão triste e tão sufocante, ver a vida de pernas para o ar e não saber como lhe dar a volta. 

 

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publicado às 15:26


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