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Café

por aesperaparavoar, em 29.10.15

Levantei-me do sofá - o tal que me tem acolhido durante dias a fio - e ousei vestir-me para sair. Num impulso saí de casa. Há muitos dias que não o fazia, há dias consecutivos que vivo numa vida sem vida que me fez perceber o que o nosso caminho é feito de muitas voltas e de idas sem volta, e que a vida pode ser cruel e certeira ao ponto de acertar no centro das nossas fragilidades. A mim, acertou-me em cheio, naquele dia fatídico em que me roubou um pedaço de mim. O homem que ensinou que a felicidade está nas coisas mais simples e que os pequenos detalhes fazem toda a diferença. A pessoa que me trouxe a serenidade por me fazer perceber que a sorrir é tudo muito mais fácil de se viver. O amigo, o companheiro, o namorado - quase marido - que durante tantos anos me fez sentir que tínhamos a vida aos nossos pés, e que éramos dois a lutar, por nós, pelos nossos sonhos, pelos sorrisos, pela vida e, acima de tudo, por uma vida juntos.

Assim que desci as escadas do prédio senti o olhar dos vizinhos sobre mim. Senti também a preocupação, que talvez fosse apenas curiosidade, de me virem perguntar como eu estava e, na verdade, percebi imediatamente porque me deixei ficar presa em casa todos estes dias. As perguntas e os olhares de compaixão das pessoas fazem com que a minha cabeça repita constantemente momentos que anseio atenuar nas minhas memórias e, embora eu saiba que o tempo não vai fazer com que eu os esqueça ou com que eles deixem de doer dentro de mim, espero que ele sirva para fazer com que esta dor acalme e o meu coração sossegue. 

Pouco depois, e num movimento quase mecânico, sentei-me na mesa onde costumávamos sentar-nos sempre. Pedi um café. Nunca um café teve um sabor tão amargo para mim.

 

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publicado às 20:07

Descomplicar

por aesperaparavoar, em 23.10.15

Por momentos sorrio como se o mundo fosse todo feito de pessoas com um brilho nos olhos e um sorriso nos lábios. Com a simplicidade de quem gosta de descomplicar e com o querer de quem sonha acreditando sempre que é possível. A vida corre e o caminho faz-se a cada dia que passa, a cada escolha, a cada momento. Somos nós que o fazemos na maior parte das vezes, e noutras, somos surpreendidos. É isso que torna a vida um desafio. Os obstáculos, as decisões, as questões, as provas com que somos confrontados. Mas no meio de tudo, depende apenas de nós escolher como lidar com todas essas coisas. E às vezes não é fácil. Mas ninguém disse que seria. E a isso chama-se viver.

 

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publicado às 20:37

No passado dia 10 de Outubro tive oportunidade de apresentar o meu livro O Primeiro Voo no Munda Lusófona 2015 "Especial Freguesias" em Reveles, onde fui muito bem recebida. A apresentar os seus livros estiveram também as escritoras Tânia Gomes e Olinda Beja, que foi um prazer conhecer!

Em suma foi uma tarde de partilhas (literárias e não só) que se revelou muito especial pela forma como fomos acolhidas, mas, também pelo facto de, pertencendo a faixas etárias muito distintas e a estilos de escrita tão diferentes, conseguirmos levar ao público um denominador comum: o gosto pela escrita, pelas palavras, pelos livros. 

Aproveito para agradecer à minha amiga Lu(rdes) Breda pelo convite e, como não podia deixar de fazer, dar-lhe os meus parabéns pelo seu empenho e dedicação!

 

 

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publicado às 10:00

Voltas e mais voltas

por aesperaparavoar, em 14.10.15

São muitas as voltas que a vida dá. Dizem que o tempo faz milagres, que cura tudo, mas, custa-me a acreditar que assim seja. O tempo não cura, quanto muito, o tempo ajuda a que as cicatrizes comecem a ser atenuadas e que as encaremos com outro olhar. Sim, porque a forma como olhamos para as coisas, como encaramos a nossa vida e aquilo que faz parte dela tem tudo a ver com a maneira como vivemos cada dia. 

A vida dá voltas e cambalhotas, umas vezes também segue a direito, mas, nunca por muito tempo, porque depressa se encontram curvas e sentidos opostos que nos obrigam a repensar o caminho e que nos estimulam a ultrapassar obstáculos e a superar aquilo que julgávamos nunca ser capazes de superar. 

Aprendi que o medo nos afasta dos nossos objetivos. Nos atira para longe da estrada e nos prende na certeza de que não vamos conseguir. Por isso, aprendi também a não lhe dar ouvidos, a não deixar que ele fale mais alto do que o meu desejo de continuar a caminhar, de concretizar, de tornar possível o que parecia impossível. E acordo todos os dias com a convicção de que a vida dá "voltas e voltas" e que tantas voltas nem sempre me permitem fazer tudo do modo como eu deliniei, mas que, com  força, fé, foco, determinação e muita persistência, o impossível torna-se possível e o que parecia ser apenas um sonho torna-se presente, numa surpreendente lição de que, não basta sonhar, é preciso acreditar e persistir. 

 

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publicado às 14:39

Livros: TOP 3

por aesperaparavoar, em 04.10.15

Pois é, últimamente o tempo voa e não tenho tido tanto tempo para dedicar à leitura como gostaria - já se previa, mas, há sempre esperança - contudo, aproveito esta altura do ano (perto do Natal) para começar a ver as novidades que surgem em termos de novos livros e de novidades no que toca a traduções de autores que costumo ler com frequência. Como sou parceira da wook e sou cliente assídua da bertrand, recebo constantemente no meu e-mail as novidades acabadas de chegar e, por vezes, sinto-me extremamente tentada. Para mim investir dinheiro em livros não é, de todo, empregar mal o dinheiro, mas a verdade é que uma pessoa que gosta tanto de ler como eu, tem de se controlar. Costumo aproveitar as chamadas "épocas festivas" para me mimar com aquilo a que chamo "de mim para mim" e, salvo raras excepções, isso incluí sempre um livro (pelo menos um). Ainda faltam 3 meses para o Natal, mas, este ano já estou mais do que decidida em relação aos livros que pretendo mesmo adquirir/ler e decidi partilhar isso convosco. São 10 títulos na "wishlist", mas, vão ser adquiridos com algum espaçamento, para o impacto não ser tão grande (na carteira).

Aqueles que estou mesmo curiosa/ansiosa (como quem diz "mortinha") para ler são:

 

1. A Rapariga no Comboio, de Paula Hawkins 

 

 

Este é um livro que já quero ler há imenso tempo. Já ouvi falar muito bem dele e, pelas páginas que pude ler no Wook, fiquei completamente rendida. Acho que era impossível não ficar. 

"Todos os dias, Rachel apanha o comboio... No caminho para o trabalho, ela observa sempre as mesmas casas durante a sua viagem. Numa das casas ela observa sempre o mesmo casal, ao qual ela atribui nomes e vidas imaginárias. Aos olhos de Rachel, o casal tem uma vida perfeita, quase igual à que ela perdeu recentemente.
Até que um dia...
Rachel assiste a algo errado com o casal... É uma imagem rápida, mas suficiente para a deixar perturbada.
Não querendo guardar segredo do que viu, Rachel fala com a polícia. A partir daqui, ela torna-se parte integrante de uma sucessão vertiginosa de acontecimentos, afetando as vidas de todos os envolvidos."

 

2. De Amor e Sangue, de Lesley Pearse

 

 

A ASA voltou a publicar - muito recentemente - mais um livro da Lesley. Quem já segue o blogue há algum tempo sabe que Lesley Pearse é das (senão "a") minhas autoras favoritas. Gosto imenso da forma como (d)escreve as suas personagens e histórias. Tenho todos os livros que estão já publicados em Portugal, com exceção deste, por isso, vai mesmo ter que ser...

"Somerset, 1836.
A recém-nascida Hope é a prova viva do adultério da mãe, a aristocrata Lady Harvey. A sua chegada a este mundo não é festejada e as lágrimas em seu redor não são de alegria. Imediatamente arrancada àquele meio privilegiado e entregue nas mãos dos Renton, uma família pobre mas acolhedora, Hope cresce sem saber a verdade sobre as suas origens. E quando chega o dia em que também ela tem de começar a contribuir para o sustento da família, é precisamente para os Harvey que trabalha. Deslumbrada perante a mansão luxuosa, a elegância dos seus patrões e a beleza que os rodeia, Hope enfrenta com brio e gratidão a extenuante rotina de trabalho.
Mas a descoberta de uma ligação proibida vai lançá-la sozinha para as ruas, para uma vida de miséria e solidão. É na adversidade, porém, que descobre uma força interior que desconhecia, bem como um talento para ajudar os mais fracos. Trata-se de um dom que não passa despercebido ao Dr. Bennett, que a leva consigo para a Crimeia, para ajudar a tratar dos feridos vindos dos sangrentos campos de batalha. Mas os segredos do passado teimam em vir ao de cima, e Hope tem ainda um longo caminho a percorrer na tentativa de enfrentar o legado do seu nascimento."

 

3. As Gémeas do Gelo, de S. K. Tremayne 

 

 

O que mais me fascina mais neste livro é o facto de ser uma história completamente diferente de todas as que já li, e é por isso mesmo que estou tão curiosa para o ler, por isso, e porque e estou igualmente muito expectante quando à escrita de Tremayne, um jornalista que já assinou textos para conceituados jornais como o Times, o Daily Mail, o Sunday Times e o Guardian.

"EU SOU A KIRSTIE
EU SOU A LYDIA
EU SOU CONFIANTE E ANIMADA
EU SOU PENSATIVA E SOSSEGADA
EU ESTOU VIVA
EU ESTOU MORTA
QUAL DELAS SOU?

Lydia e Kirstie tinham 6 anos e eram gémeas idênticas. Quando Lydia morre acidentalmente na queda de uma varanda, os pais mudam-se para uma pequena ilha escocesa, na esperança de reconstruírem, com a filha que lhes resta, as suas vidas dilaceradas.
Mas um ano depois, a gémea sobrevivente acusa os pais de terem cometido um erro e afirma que quem caiu da varanda foi Kirstie e não ela.
Na noite em que uma tempestade assola a ilha e deixa mãe e filha isoladas, elas dão por si a serem torturadas pelo passado e por visões inexplicáveis, que quase as levam à loucura. O que terá acontecido realmente naquele fatídico dia em que uma das gémeas morreu?"

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publicado às 09:12

Menina-Mulher

por aesperaparavoar, em 03.10.15

Era ingénua e pequenina. Quase sempre sorridente, e traquina. Tinha histórias para contar, daquelas em que os bons, ao contrário dos maus, acabam sempre felizes, e outras, em que as personagens nem sequer eram pessoas. Achava eu que conhecia o mundo, encantada com a ideia de que o mundo era a aldeia onde nasci e vivi até ao dia em que a vida me empurrou noutro caminho. 

Tinha sonhos. Tantos sonhos. E hoje, sou ainda uma sonhadora. 

A vida trouxe-me e eu vim, sem saber nada dela ou do que me esperava. Vim a caminhar, um passinho de cada vez, embora por vezes a ansiedade me fizesse querer dar dois de uma vez só. Não vim sempre pelos caminhos mais rápidos ou pelos mais óbvios e nisso, encontro a criança que fui. A menina cresceu e virou mulher, mas, o passado não se apagou, ele acompanha-nos, umas vezes apenas empacotado nas nossas memórias, outras mais presente, mas vem connosco, mantendo em nós um pouco da essência que sempre foi nossa. 

É bom, e ao mesmo tempo estranho, ver como nós crescemos e vivemos depois disso. É tudo tão diferente, tão mais complexo e exigente. Um verdadeiro desafio, onde todos os dias são uma oportunidade, e vivo cada uma com a alegria de saber que, se hoje não correr como eu quero, amanhã posso voltar a tentar. E tento sempre, quanto mais não seja porque sou teimosa. Sempre fui. 

 

crimsonvein:Normal is all relative

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publicado às 16:36


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