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Tenho saudades tuas.

por aesperaparavoar, em 10.02.16

O tempo ditou que seguíssemos caminhos diferentes e nós não fomos fortes o suficiente para o contrariar. Pareceu tudo tão fácil de aceitar para ti, mas para mim não foi assim. E tu, bem, tu tens o dom incrível de me fazer querer-te quando já não te quero.

Há momentos em que percebemos que é altura de deixar ir. Admitir que uma pessoa que já foi tudo para nós já não faz mais parte da nossa história não é fácil, sobretudo quando o nosso pensamento é teimoso e teima insistentemente em relembrar coisas das quais queremos fugir. Tu és a minha fraqueza. Por mais que me proíba de te querer, de pensar em ti, no que já fomos e no que, inevitavelmente, ainda és para mim, o meu pensamento continua a não deixar que te tornes passado. E eu queria tanto que o fosses realmente. Sim, queria tanto poder sentir que és passado e que já não sinto a tua falta. Digo-o e repito-o tantas vezes para mim própria, mas nunca resulta. E quanto mais quero esquecer, mais me lembro.

Deixar ir não é fácil, mas, nestes casos é mesmo necessário. E eu sei disso, palavra que sei, por isso é que deixei que te fosses embora. 

Ainda assim, és a minha maior tentação. O teu sorriso continua a pairar todos os dias na minha memória, os momentos que partilhá-mos continuam a virar-se contra mim e a fazer-me desejar viver mais momentos assim, contigo.

Queria não te querer, mas quero. Queria que me fosses indiferente, mas TENHO SAUDADES TUAS, e do teu jeito desajeitado, da tua forma de lidar com as coisas, com a vida, comigo. É, tenho saudades disso. Sei viver sem ti, mas, era tudo tão diferente quando estavas comigo. A vida parecia tão mais descomplicada, mais leve, mais feliz. E havia sempre aquele conforto de ter os teus braços à volta do meu corpo, de sentir a tua respiração, o teu amor. E eu sei, é um erro. É errado querer-te tanto quando, na verdade, o que tínhamos já acabou, mas, é um impulso tão forte que eu não sei controlar. 

E por mais que eu diga que não, ou me queira convencer disso, o meu coração continua a ser teu. 

 

Mais um excerto de uma história que tenho andado a escrever.

Como sempre, espero (muito) que gostem.  

 

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publicado às 12:04

Ele

por aesperaparavoar, em 07.02.16

Ele não me fez suspirar da primeira vez que o vi. Não me fez sequer ficar parada com os olhos fixos nos dele, com aquele sorrisinho no rosto de quem se apaixonou à primeira vista. Ele era um rapaz como tantos outros, e a minha curiosidade relativamente a ele provinha apenas do facto de ser o único que eu não conhecia. Mas depois, com o passar tempo, ele tornou-se único por muito mais motivos. 

Ele não foi pessoa com quem eu simpatizei de imediato, mas cada dia que passou depois de nos conhecer-mos me fez perceber o quão estava enganada. Ele tornou-se um amigo, um daqueles que toda a gente devia ter. Só o sorriso dele era suficiente para me fazer sorrir também. Só a forma descontraída como ele encarava a vida fazia-me sentir mais tranquila em relação à minha, só o olhar dele fazia-me esquecer momentâneamente o turbilhão de coisas a acontecer dentro de mim e transmitia-me a calma que eu nunca tive. 

Eu sempre fui uma pessoa muito bem resolvida, até ao momento em que senti que me estava a apaixonar por ele. Eu confiava nele, aliás, ele era a pessoa em quem eu mais confiava. Ele dáva-me atenção, carinho, ouvia-me e tinha sempre uma palavra para me dizer, fosse para me confortar ou para me fazer sorrir. De vez em quando desafiava-me e, céus, isso era o que mais me desconcertava. Aqueles joguinhos em tom de desafio, o atrevimento, as brincadeiras. Ele tirava-me do sério. Dáva-me vontade de o puxar para mim e de o beijar.

Ele fazia-me feliz. Acima de tudo, ele respeitava-me e fazia-me sentir em paz comigo mesma e com a vida. Nunca ninguém me tinha tratado assim, nunca ninguém me fez sentir aquilo que eu senti de todas as vezes que estive com ele. E nunca ninguém me tinha ensinado tantas coisas. Ele ensinou-me muito, inclusivé ensinou-me que a felicidade são momentos, não uma constante. Ensinou-me que a vida não pára e que não vale a pena perder tempo a tentar adivinhá-la. E que também não vale a pena fazer muitos planos nem tentar ter controlo sobre tudo, e que é em não termos controlo sobre tudo que está a magia da vida. Ele ensinou-me que eu terei sempre momentos de sofrimento e de tristeza, mas, desde que eu não me esqueça de quem sou, da força que tenho dentro de mim, e do caminho que percorri, eu voltarei sempre a ter momentos felizes. E é disso que que eu me lembro sempre que penso nele.

 

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publicado às 10:23

(Des)conhecidos

por aesperaparavoar, em 05.07.15

Ele tinha nome, mas, toda a gente insistia em chamar-lhe outros que não o dele. Era louco, é verdade, contudo, ele também tinha sentimentos. Sentia, por vezes, muito mais do que demonstrava. 

Não era pessoa de se fiar ou de almejar criar ligações com alguém, mas, caminhava triunfante, por entre olhares de julgamento - aqueles a que já se havia habituado por fazerem parte da rotina -  com a convicção de estar a viver mais um dia.

Avistou então uma menina que passava perto de si e, na sua insanidade, aproveitou a ocasião e disse-lhe olá. Assim mesmo, sem meias medidas. Pobre coitado, estava delirante!

O seu "olá" entusiástico desarmou-a e desenhou-lhe um sorriso no rosto. Ela, uma menina-mulher com a segurança de quem - em verdade - era tudo menos confiante em si mesma, retorquiu-lhe o cumprimento. Tão simples, tão naturalmente como se adormece, sem rodeios que, pensava ela, não tinham que existir. E não. 

Ela não sabia, mas, naquele momento ele estava inquieto por descobrir mais sobre ela. E havia tanto dela que ninguém conhecia, coisas que por entre subterfúgios ela procurava não demonstrar. Não era medo, mas apenas uma proteção. Corou. Ele ainda ali estava, inerte, a olhá-la. 

Então, ela procurou-lhe se precisava de alguma coisa, se lhe queria falar ou se tencionava ficar ali a olhá-la. Não o disse com desdém, ao contrário dos outros que costumavam abordá-lo a ele com regularidade. 

Ele, de tão absorto, não respondeu. 

Nesse momento ela podia ter decidido ir-se embora. Não era mulher de meias-palavras, nunca o fora, nem sequer de situações pouco esclarecidas. Fugia delas. Estranho era, por isso, que ela continuasse ali, à espera do desenrolar de uma conversa que, por entre trejeitos, parecia não estar destinada a existir. Ou se calhar estava. E talvez fosse por isso que esperava, numa esperança disfarçada por detrás de uma postura serena.  

Olhou-o por duas vezes e preparou-se para falar. Não sabia o que dizer, mas, queria falar. Não o fez de imediato.
"Talvez possamos ir beber um café?" - disse, por fim, segundos depois. 
Arrependeu-se no mesmo instante em que falou. Atrevida, a miúda. 

Mas, ele estava tão encantado que o pasmo lhe roubou as palavras, e queria falar, mas, tudo o que pudesse dizer era pouco para descrever a alegria que a sua alma estava a sentir. 

Estavam ali os dois, há seguramente mais tempo do que perderiam com qualquer outra pessoa, mas nenhum deles sabia porquê.

Ela olhava-o à espera de algo, algo que podia não chegar e que nem ela sabia o que era. Esperava, só isso.
Ele, por sua vez, naquele desejo desenfreado de dizer alguma coisa, ficou calado. As palavras congelavam-se-lhe na língua.  E os pensamentos - no momento, puros desabafos do seu subconsciente desconcertado - descarrilavam-lhe as expressões. 
Não estava sério, talvez apenas apreensivo. Demorou a responder-lhe, não com palavras - essas tinham-se perdido nos pensamentos - mas antes com um ligeiro abanar de cabeça. 
Então ela, no embaraço de tentar desfazer todo aquele embargo, sorriu novamente. E o sorriso dela veio acalmar-lhe o espírito. Foi o suficiente para quebrar o gelo entre eles.
Além disso, o brilho dos olhos dela deu-lhe - a ele - a certeza de que era seguro arriscar falar. 
- Onde vamos beber esse café? -  aventurou-se, num impulso. E, naquele momento tão desajeitado, ele percebeu que estava atraído por ela.
E ela - alheia a isso - estava também. 

Começaram a caminhar sem um rumo definido. Os seus passos soavam a incerteza, mas isso era apenas um detalhe, uma minúcia no meio de toda a excitação que aquele encontro desencontrado os fazia sentir. 

Ela, uma mulher impulsiva e um tanto imprevisível, por entre aquilo que não dizia - que era muito menos do que pensava e muito mais do que dizia -  começava agora a mostrar-se. Tinha-o incentivado dando o primeiro passo, embora ele, no seu intrínseco, já fosse muito longe dali. 
Foram. Dois desconhecidos que já se conheciam melhor do que muitos outros seres que se apregoavam amigos, mas nem eles sabiam disso. 
O caminho ia-se trilhando a cada passo, e a certeza de não saberem onde iriam parar fê-los sentir um frenesim de quem tem adrenalina a correr-lhe nas veias e o coração a pulsar vigorosamente dentro do corpo. E, por entre toda aquela excitação - aprisionada dentro de cada um -, pareciam duas crianças pequenas, os palermas!
 

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publicado às 19:01

Ele & Ela

por aesperaparavoar, em 02.07.15

- Nunca pensei dizer isto assim, mas sei que já não consigo estar longe de ti sem sentir a tua falta. - foi assim que tudo começou, a história que eles escreveram depois não teve um final feliz, mas, ainda assim, serviu de lição para ambos.

Ela era uma miúda que não sabia nada sobre o amor, muito menos sobre relações amorosas. Nunca tinha tido um namorado. Nunca tinha beijado nenhum rapaz, nem fazia ideia da sensação que isso seria. 

Ao contrário dela, ele era um rapaz independente, muito mais experiente no que toca a relações e a tudo o que elas incluem, achava ela. Ele parecia tímido, mas não era.

Ter-se apaixonado por ele fê-la crescer um pouco e conhecer uma sensação que nunca antes tinha tido, pelo menos não daquela forma. Chamam-lhe "borboletas" na barriga. Ela sentia isso cada vez que o via, que estava com ele ou que pensava nele. Eles eram amigos, e ela sabia que nunca teria oportunidade de ser mais do que isso. Estava enganada. 

Ele começou a aproximar-se dela e ela deixou-se envolver. Os dias que se seguiram foram tão intensos e especiais que, por momentos, ela acreditou que estava a viver a fase mais feliz da sua vida. Ingénua, a miúda. Tão nova e com tanta vida pela frente. 

De facto, eles habituaram-se um ao outro, de tal maneira que os fins-de-semana longe custavam a passar e os momentos juntos pareciam sempre poucos. Estavam felizes, mas não era amor, pelo menos de ambas as partes.

 

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publicado às 15:12


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