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Recomeços

por aesperaparavoar, em 12.03.16

O passado já lá vai, o presente vive-se agora, o futuro logo se vê. Este é o lema. 

Por vezes o passado torna-se tão presente nas nossas vidas que nos impede de seguir em frente, de aproveitar as oportunidades de cada dia e de ser felizes com a vida, connosco, com os outros. Na verdade, é importante conseguirmos arrumá-lo na nossa vida. Ele fez parte de nós, com tudo o que nos trouxe de bom e de mau, ensinou-nos muitas coisas, permitiu que nos cruzássemos com vários tipos de pessoas e que vivêssemos as mais variadas situações, mas já lá vai. Passou. Agora é preciso rematar todas as pontas que ficaram soltas, arrumar todas as memórias, ainda que sempre com a consciência de todas as lições de vida que retirámos e de tudo o que vale a pena recordar. Há um presente para ser vivido e é preciso saber encará-lo com um sorriso. Recomeçar não significa esquecer tudo o que já passou, até porque tal não é possível, mas significa adotar uma nova postura na vida. Caminhar na direção do futuro com confiança, com carisma, com felicidade. E isso é possível.

Quanto ao futuro, não vale a pena tentar adivinhá-lo nem desperdiçar o presente com receio do que virá. Um dia de cada vez. As coisas acabam por tomar o seu rumo, e no fim, tudo acaba como tem de acabar. 

Positividade, vontade, determinação, força, atitude. A energia que nós exteriorizamos é aquela que atraímos!

 

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publicado às 11:34

A viagem

por aesperaparavoar, em 13.08.15

Olho para trás num retorno ao meu passado. Não sou refém do  passado, mas foi ele que ditou muito do que sou. Foi nele que me construí e é a bagagem que trago comigo. Uma mala recheada de coisas boas e menos boas. Algumas verdadeiramente infelizes, mas foram sobretudo essas que me obrigaram a conhecer a força que tenho dentro de mim. Foi graças aos momentos difíceis que aprendi a dar mais valor aos pequenos gestos, às palavras ditas em silêncio, muitas vezes através do olhar, e claro, dos sorrisos, das gargalhadas genuínas que a vida nos permite.

É passado, inclui umas coisas melhor resolvidas do que outras, mas as pontas soltas vão sendo rematadas com o tempo, ou então, vão-se desapegando da malha, ainda assim, de vez em quando não resisto... perco-me nas  memórias de uma menina que, embora insegura, sempre soube muito bem o que queria. Uma viagem que acaba por nunca ser breve, não ouvessem tantas questões suspensas pelo passar do tempo, pelo que ficou por dizer ou fazer, e até pelas pessoas que por um ou outro motivo foram saíndo da nossa órbita. As lembranças, só por si, fazem-me parar e por momentos quase que volto a ser aquela menina outra vez. E o passado torna-se presente... O cheiro da terra remexida e os pés pretos de andarem descalços. O sorriso desinteressado de quem levava uma vida descomplicada. O brilho no olhar e a vontade de estar constantemente em movimento. O desconhecimento dos problemas e da sua dimensão. A inquietude de quem tem uma vida pela frente e sonhos para concretizar. A ingenuidade de quem ainda acredita em contos de fada, embora sempre tenha desconfiado deles. O desejo desenfriado de viver simplesmente porque a vida é bela. 

Saudades? Tenho muitas, mas não voltava atrás! Já vivi, já senti, já cheirei e saboreei. Já tive, já fui. Já passou. É claro que há sempre uma tendência de querer voltar e mudar as coisas, mas não é assim que a vida funciona, muito menos depois das nossas escolhas e decisões já terem influenciado tudo o que veio a seguir. É esse o desafio. Viver, com tudo o que isso implica.

Agora sigo o caminho para o qual a vida me foi encaminhando e que eu própria fui traçando, em parte. Um pouco daquela menina continua vivo em mim, o resto, vem na mala. E fora as lembramças, continuo em viagem, pela vida. 

 

 

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publicado às 20:20


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