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Trilhos, trechos, traços

por aesperaparavoar, em 26.07.15

Poderia ter seguido tantos caminhos diferentes... outras escolhas, outros sentimentos, outras teimosias. Talvez essas tais outras escolhas me tivessem trazido sorrisos que até hoje não esbocei, ou então não. Talvez a vida que vivo tivesse sido sustida ou eu já não existisse sequer. Digo "talvez" porque, de facto, não posso garantir que mesmo outros caminhos não me trariam até aqui. Na verdade, de pouco adianta pensar, especular, tentar formar teses que serão sempre infundadas para me poderem levar a algum lugar. E eu gostava de ir, mas, vou ficando. 

Agora, carrego-a em mim, a mágoa. Esse tal sentimento tão pouco aprazível que muitos, e sobretudo, muitas, tentam desamparar. A propósito, desamparada define convenientemente como me sinto. E o mais incrível é que eu não me reconheço neste papel, nem me encontro neste livro triste cujo desfecho eu tento adivinhar, mas, não consigo. 

Desprendi-me de todas as amarras, fi-lo na vida, na alma, no todo que agora me condena. Questiono-me: Seriam essas correntes que me mantinham presa à Luz que parecia dar algum sentido à minha existência, tão singela, tão desapercebida?! 
Acusam-me de ser fria e, eu sei, tornei-me fria com o tempo, esse que por vezes é amigo e outras traiçoeiro. Ou somos nós que o somos?!
Caminho agora por lugares que nunca vi, onde nunca estive nem sequer em sonhos, sem evidências de chegar, onde quer que seja. Traços de uma loucura que se apodera de mim com um à vontade que não permiti. Devaneios meus, tão excêntricos que não poderiam passar disso mesmo.
Refugio-me no que me restou. Nesse pouco confundido com nada. Pequenos trechos de uma mulher que foi feliz, em tempos. 
Parei por uns instantes em frente ao piano e dei por mim a pensar há quanto tempo tinha desistido dele. Sempre foi um sonho da minha tia, que mo deixou em herança, que eu aprendesse a tocar piano. E logo eu, que sempre soube que não tinha talento para a música. Pelo contrário, a minha arte é outra. Construo melodias com as palavras e através delas recrio mundos. Vários. Não escrevo canções, nem poemas, mas também conto histórias, muitas histórias. Histórias de quem sente, de quem tem a vida à flor da pele e o desafio de se tornar alguém. 
Histórias que podiam ser a de qualquer um de nós, ou da nossa imaginação.
 
 
(Este excerto integra uma breve história que escrevi ("Memórias de um dia (in)esperado"). Uma história integralmente ficcionada. Em breve prometo algo "mais alegre"!)

 

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publicado às 20:51


2 comentários

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De Limonada a 27.07.2015 às 10:46

Se soubesse o que sei hoje tinha dado mais importância às aulas de piano que os meus pais me proporcionaram em miúda... não devia ter desistido.
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De aesperaparavoar a 27.07.2015 às 12:56

Olá,
Que bom é tê-la por aqui!!!
É sempre assim quando olhamos para trás, há tantas coisas que fazemos e que mais tarde ao revê-las percebemos que "se eu soubesse o que sei hoje...", contudo, não duvido que haveria coisas que fazíamos da mesma forma, por irreverência, estupidez, desinteresse ou simplesmente porque sim!
Beijinho*

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