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"O Primeiro Voo" por Ana Ribeiro

por aesperaparavoar, em 20.09.15

Como referi num dos posts anteriores, faz já alguns dias enviei os meus dois livros para a Ana Ribeiro do blogue Escreviver - [Portefólio de Escrita] que, para minha admiração, os leu num piscar de olhos. Depois de me ter dado a sua opinião sobe o primeiro livro que publiquei, partilho hoje convosco a sua crítica ao meu mais novo, o meu romance. Deixo-vos assim com a opinião da Ana, tal e qual como ela partilhou no seu blogue. Desde já, o meu muito obrigada!

 

"Mais um livro terminado. Terminei ontem este segundo livro da Ana Filipa Batista e que grande livro, posso começar por vos dizer. Que talento inigualável para a escrita (e volto a repetir o que já disse na resenha do primeiro livro da Ana, é que há bastante gente maldosa por aí. Os elogios que teço á Ana não são feitos pelo facto de comunicar frequentemente com ela; são sentidos. Acreditem que ela tem um talento gigante: mesmo!), estou oficialmente rendida (e vocês também vão ficar), vou querer ler muito mais livros dela e outras coisas. Espero que ela nunca pare de escrever.

 

“Aqui as pessoas têm pressa, uma pressa compulsiva como se cada minuto fosse uma vida, e se calhar é. Têm pressa de chegar, não sei onde, mas têm pressa de chegar, talvez aos empregos, às escolas para deixarem os filhos, pressa de encontrar quem espera por elas, pressa de viver”. (…)

 

Este livro da Ana superou largamente as minhas expectativas, nota-se uma evolução tão grande na escrita, tão madura (mais ainda que no primeiro sem de todo perder a simplicidade, que penso que caracterizará a maneira de ser e estar da autora), nada que eu não esperasse. Essa evolução na escrita tornou a história mais tocante, mais emocionante, mais envolvente, mais intimista capaz de nos prender até ao fim. O tipo de livros que adoro – ontem comecei a leitura ás 20h e acabei ás 23h -, é fácil gostar e deixarmo-nos levar. A escrita da Ana conquista e prende de tão rica que é, tão forte, tão madura e trabalhada, facilmente nos deixamos conquistar e nos esquecemos da idade da Ana, parece que escreve há anos.

Daí que este livro me tenha tocado imenso, é bastante intenso e a história está bastante bem conseguida, estruturada e organizada, houve capítulos (para não dizer todos) em que estava a viver o que estava a ler e isso é tão bom, vieram-me as lágrimas aos olhos. E eu adoro quando os livros me fazem sentir essa intensidade. Identifiquei-me com a Margarida, revivi momentos da minha vida com ela, nomeadamente os tempos de infância passados com a minha falecida avó tão parecidos aos da Margarida, revivi essa perda na perda que a Margarida vai viver na história.

 

“Acho que a verdadeira vida está longe daquilo que temos, acredito que vivemos muito mais quando nos afastamos do que possuímos e nos damos à vida, aos outros”.

 

Acredito que muitos jovens se irão rever na Margarida, nos seus sonhos, nas suas dificuldades, nos seus obstáculos: na sua luta, nas suas conquistas. A maneira de pensar e de agir. Talvez possa reflectir a situação precária porque os jovens passam hoje em dia.

Um leitura incrível que recomendo.

Aqui fica mais um parágrafo de que gostei:

“Agora sei que toda a gente se cruza na nossa vida por um motivo: uns dao-nos a força que precisamos para vencer os nossos obstáculos, outros obrigam – nos a provar a força que temos em nós. Todas essas pessoas são importantes, mais ainda quando, no final, temos a possibilidade de escollher quais delas queremos que fiquem para sempre ao nosso lado”."

 

Ana Ribeiro

 

 

 

Nota: O romance O PRIMEIRO VOO encontra-se disponível para venda em várias livrarias do país, bem como online, nomeadamente nas livrarias FNAC, Bertrand e WOOK. Caso o livro não esteja disponível de momento é possível encomendar.

Podem também adquirir exemplares comigo, e nesse caso o livro seguirá por correio, já autografado. 

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publicado às 14:33

Na semana passada enviei os meus dois livros para a Ana Ribeiro do blogue Escreviver - [Portefólio de Escrita] e, qual não foi o meu espanto quando, no fim de semana a seguir recebo a sua opinião relativamente ao “Diário de Filipa – Peças de um puzzle”, após já o ter lido. Hoje deixo-vos com a opinião da Ana, tal e qual como ela a escreveu no seu blogue. 

 

"Terminei ontem este livro da Ana Filipa Batista, cujo trabalho conheci através de uma entrevista sua dada há alguns meses na RTP (como já tinha referido por aqui). Fiquei encantada com a sua enorme maturidade, com o à vontade para comunicar e com o facto de ter escrito este livro com apenas 12 anos (mas com uma mentalidade que se calhar a maioria dos adultos de hoje não têm) e já ter gerido dois blogues: o “Poesia a Brincar” (agora sem actualizações) e o ” Diário de uma borboleta” onde ela escreve com frequência. Fiquei curiosa para espreitar este último e foi a partir daí que comecei a seguir o trabalho da Ana: tanto no blogue como no Facebook. E fiquei deveras curiosa para ler os livros dela, gosto sempre de conhecer novos autores e ultimamente tenho conhecido muitos e bons.
Falando do livro, adorei imenso (mesmo!!!) e não digo isto pelo simples facto de ser amiga da Ana e falar com alguma frequência com ela e saber que ela vai ler isto. Digo-o porque de facto adorei mesmo o livro e recomendo-vos desde já a leitura porque vale mesmo a pena, diverti-me imenso, ri, emocionei-me, vivi, recordei.

Talvez achem estranho eu mostrar-me tão entusiasmada com um livro que basicamente é escrito para pessoas muito mais novas que eu. Mas na verdade, apesar dos meus 28 anos e de as leituras agora serem bastante diferentes daquilo que lia na adolescência, por vezes ainda gosto de ler livros como o da Ana. Continuam a entusiasmar-me pela sua simplicidade, acho que qualquer autor se inicia na escrita pela simplicidade.

Bem, provavelmente, a melhor forma de começar a falar propriamente do livro da Ana seja deixando a frase que ela escreveu no meu livro (já queria adquirir os livros dela há algum tempo, mas foram-me sempre aparecendo outros e fui deixando estes por adquirir. Há uns dias soube que ela tinha exemplares para venda e não perdi a oportunidade principalmente porque vieram assinados por ela e tem um significado diferente):

Vive a vida sem medo de lutar. Sonha e concretiza. Sê quem tu és. Atreve-te.

O livro da Ana fez-me recordar alguns livros que eu lia na adolescência como: “O diário de Sofia” e o “Diário de João e Joana”, fez-me reviver algumas fases da minha vida, e recordar como é que começou a minha paixão pela escrita, precisamente com a escrita de diários como este. Achei muito interessante a dualidade que  a Ana criou, foi através do diário que ela interagiu com o leitor, à medida que comunicava com ele comunicava connosco, dando a ideia de que o diário era também personagem do livro. Isto é realmente difícil de explicar; mas quando lerem o livro vão entender o que estou a querer dizer.

Encontrei na Ana maneiras de pensar idênticas ás minhas. Foi giro descobrir que temos realmente muitas coisas em comum e não apenas na escrita e isso ajuda a gostarmos ainda mais do que estamos a ler, a ficarmos viciados e “presos”, oferece um prazer particular. Adoro quando leio um livro e me identifico com quem o escreve.

A Ana leva-nos, neste livro, numa viagem bastante autobiográfica pela sua vida (ela costuma dizer que a personagem do livro não tem muito a ver com ela, mas eu acho que tem e muito. Leiam o livro e depois digam-me se partilham da mesma opinião) e onde ao mesmo tempo nos permite conhecer a sua forma de pensar e ver algumas situações pela quais ela vai passando (referentes à fase da adolescência) e que vai descrevendo. Poucas adolescentes com a idade da Ana teriam capacidade para escrever um livro tão maduro e reflexivo, com tantas lições de vida (às vezes acho que os jovens conseguem reflectir muito mais e melhor sobre as coisas que os adultos. E muitos adultos de hoje bem precisavam de ler este livro para aprenderem umas coisinhas com a Ana: verdadeiras lições de vida).

Leiam só este pequeno excerto do livro, um dos meus favoritos:

livro.JPG

in “Diário de Filipa – Peças de um Puzzle”

 

Aquele excerto que vocês lêem e de repente se esquecem que quem o escreveu só tinha 12 anos. Não parece, pois não? Também achei o mesmo, literalmente.

Se houve coisa que me impressionou e me surpreendeu imenso foi a forma de escrever da Ana com um vocabulário tão rico e tão maduro; mas ao mesmo tempo uma escrita simples e divertida capaz de deliciar quem lê e de manter o leitor agarrado ao livro até ao fim. Mal dormi na Sexta à noite com a ansiedade de ler mais (estou a falar muito a sério, não me podem chegar às mãos livros bons como este porque depois entusiasmo-me, quero sempre acabar e nunca posso no timing que me apetece. E isso provoca-me nervos xD)

Pelo meio da leitura encontrarão também textos magníficos – de prosa e poesia – da Ana, que ela já tinha escrito antes de iniciar o livro e que quis partilhar, acredito que adorarão ler. Eu adorei e fizeram-me pensar imenso. São realmente muito muito bons.

Tenho pena que muitas vezes, as editoras acabem por não dar o devido valor a autores bons como a Ana, era justa uma digressão pelas escolas de todo o país porque os jovens merecem conhecer e ler este livro e era uma boa escolha para o Plano Nacional de Leitura. Aprende-se muito a ler um livro divertido.

 

Deixo-vos de seguida algumas frases do livro que me deixaram a pensar:

“A amizade é um sentimento característico, só se sente por quem nos marca”.

“Cada amigo é uma pérola preciosa, uma dracma perdida, um tesouro por descobrir, um presente por desembrulhar, algo com um valor incalculável”

“Na vida, quem dá menos perde”

“A vida é um ponto de interrogação sobre o qual ainda muitos não se questionaram”.

“Há coisas que pensamos que nunca vamos fazer, há situações em que julgamos que nunca vamos estar. Mas como a vida muitas vezes é imprevisível… Nunca se sabe!”

Para já vou fazer uma pausa nos livros da Ana, nunca leio dois livros seguidos do mesmo autor para não deixar fugir a magia; vou terminar uma das leituras que ando a ler há imenso tempo e depois regresso para ler o primeiro romance da Ana: “O primeiro voo”. Estou curiosa, do que já espreitei parece-me que vou encontrar uma grande evolução na escrita.

Ana Ribeiro

  

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publicado às 09:40


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