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Não vou contar-vos toda a minha história no que toca a este tema, já que se quiserem conhecer podem fazê-lo aqui, apesar disso, devo confessar que sempre fui uma criança muito sedentária e pouco ligada ao exercício físico, as desculpas para não praticar desporto eram recorrentes. Em Dezembro de 2011, com apenas 1,55cm cheguei a pesar cerca de 68 kg. Desde sempre fui considerada uma criança acima do peso e cheguei até a ser vista como obesa. A partir do dia 1 de Janeiro de 2012 tomei a decisão de mudar, por mim! Perdi (de forma totalmente saudável) cerca de 16kg, ganhei algum gosto por exercício físico e aprendi a ter uma alimentação saudável, sim porque, o mais importante acima de tudo é mudar de hábitos e fazer uma reeducação alimentar.

Sou uma rapariga cuja genética não abona muito a favor do "ser magra", por isso, conseguir cumprir o meu objetivo foi difícil, mas, muito gratificante. Durante cerca de três anos mantive o meu peso nos 52 kg, um peso saudável e adquado à minha estrutura, sempre com uma alimentação saudável e fazendo algum tipo de exercício físico (muitas caminhadas, inclusive). Infelizmente, recuperei algum peso depois de passar por uma fase mais conturbada na minha vida, de muita instabilidade emocional e stress (um grande inimigo!). Hoje em dia estou a lutar novamente contra os quilos a mais - não tantos como da primeira vez -, e faço-o por mim, para mim, para me sentir melhor comigo própria. 

Ontem, quando li o texto que partilhei convosco identifiquei-me muito com ele. De facto, acho que hoje em dia a nossa sociedade contribui imenso para que as mulheres (porque grande parte dos casos são femininos) se sintam inferiores apenas porque não têm "o peso", aquele que supostamente deveriam ter. Ter excesso de peso é péssimo se isso inclui questões de saúde e mal estar físico e psicológico, mas, caso nenhuma dessas coisas se verifique, não tem nem deve ser motivo de críticas. Para mim, faz sentido uma pessoa mudar e lutar por isso se realmente essa fôr a sua vontade e não se sentir bem/feliz com o corpo que tem, e não somente porque a sociedade lhe "impõe" isso. 

Nunca fui alvo de críticas abusivas contra o meu peso, mas há muita gente que sofre com isso. Sou muito crítica comigo própria e é por isso que sinto necessidade de me sentir confortável, e nem é bem com o meu peso, é mais com o meu corpo, porque o peso é apenas um indicativo. A verdade é que ultimamente não gosto do que vejo no espelho, e realmente a têndencia às vezes é duvidarmos de nós, dos comentários positivos que nos fazem, acharmos que não somos bonitas porque temos peso a mais. Faço um esforço por combater isso e usar todos os meus complexos como motivação para lutar por aquilo que quero ver no espelho, sem frustrações, sem obcessões, a um ritmo descontraído, mas sempre sem perder o foco. E, acima de tudo, não deixo a minha felicidade depender daquilo que a balança me mostra, porque sei que sou mais para além disso, e ainda bem!

 

Exibindo DSCN0702.JPG

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publicado às 09:41

Porque este é um blogue de partilhas, sem um tema estanque que condicione quaisquer outros, e porque este tema em especial está 100% relacionado comigo. Hoje início uma "saga" de dois posts em que partilho connvosco uma parte de mim que, embora já tenha posto a descoberto à algum tempo, nunca revelei por completo. 

Encontrei, por acaso, no meio dos mil e um acontecimentos que me passam ao lado no feed de notícias do facebook, um texto cujo título é "Você não precisa ser magra – sobre quilos a mais e felicidade". Abri um novo separador com o texto e li-o. Decidi logo que tinha de o partilhar convosco, porque muito embora o texto não tenha sido escrito por mim, concordo em grande parte com ele. Assim, este é o primeiro post de abordagem a este tema, no segundo irei falar um pouco da minha experiência pessoal no que toca a "quilos a mais".

 

Eis o texto de que mencionei:

"Ela é linda. Tem olhos grandes e expressivos, sorriso brilhante e belos quadris. Interessante, tem papo agradável e outras mil e uma qualidades. Mas quando sobe na balança e o ponteiro passa do que a sociedade julga aceitável, tudo o que ela tem de bom cai no mar do esquecimento e o foco passa a ser os quilinhos que ela “precisa” perder.

Ela disse que ainda não fez aquela lindíssima tatuagem na costela porque antes precisa ficar magra. Afinal, absolutamente nada fica bonito ou sexy em gente gorda.

Ela mora junto e tem o sonho de se casar na igreja (é, naquela cerimônia besta em que você se veste de branco, diz sim e depois te jogam arroz), mas adiou o antigo sonho porque não quer entrar na igreja “como um colchão amarrado pelo meio”.

Ela precisa estar magra para viver um dia de fato feliz. Ela queria a lingerie nova que viu na vitrine, mas não – o marido não vai me achar bonita vestida naquilo. Aliás, eu sou gordinha, então não posso ser bonita.

E deixa eu contar a maior verdade pra vocês: ela é linda mesmo. Ela não percebe os olhares quando ela passa, porque está ocupada olhando-se no reflexo da porta de vidro e encontrando defeitos sem importância. Ela não se deu conta que aquela amiga magrelinha que vive contando vantagem é louca pelas coxas dela. Ela não se deu conta de quanta vida está perdendo pelo simples fato de não ser magra.

Aqueles vinte inofensivos quilinhos a separaram da sonhada tatuagem e da cerimônia de casamento. Do cupcake no último aniversário. Do churrasco em família, da praia de domingo, da sessão de fotos sensuais. Os dias dela estão ocupados com inibidores de apetite, aulas de aeróbica e duras sessões de autodepreciação em frente ao espelho.

Eu juro que não há (absolutamente) nenhum problema em querer estar bonita – chega de hipocrisia, todos nós queremos. Não há nada de errado em ir à academia ou em estar insatisfeita com o que quer que seja no seu corpo. Mas há algo de muito errado em condicionar a isso a sua felicidade. Em guardar a vida para “quando você for magra”. Você tem que ser feliz agora  – sorrindo abertamente enquanto resolve os seus problemas com a aparência, se é que eles existem.

Se cuida – você pode até ficar magra se achar que vai ser mais feliz assim. Mas não espera não: se ama agora."

Nathalí Macedo

 

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publicado às 13:35

Falemos de... #1 | Racismo

por aesperaparavoar, em 22.12.14

Nunca fui, não sou, não consigo ser, nem me imagino a alguma vez ser racista! Não o digo porque "fica bem na fotografia", digo-o porque é assim mesmo! 

O racismo continua a ser um tema muito abordado, de tal maneira que durante o 1º período o tema das nossas aulas de Inglês foi "Discriminação e Racismo". Tivémos oportunidade de ver alguns filmes (destaco o "Crash", um filme que retrata muito bem esta temática da discriminação e sobre o qual pode ser que ainda vos volte a falar) e de discutir algumas ideias. Tenho alguns colegas racistas. Recuso-me a discutir com eles estes assuntos, para ser honesta, custa-me respeitar a opinião deles. Custa-me aceitar que rejeitem pessoas apenas porque elas têm uma cor de pele diferente. Não me parece um argumento válido para certo tipo de atos vergonhosos que acontecem todos os dias. 

Um dos meus grandes sonhos é ir a África. Bem sei que a vida lá não é fácil. Sou voluntária numa associação juvenil que atua na Guiné-Bissau, a PROMUNDO, e através de fotografias e de testemunhos de quem faz parte do grupo e todos os anos contacta com as pessoas de lá já pude constatar que há zonas onde a população (incluindo crianças pequeninas) é privada de coisas essenciais à sobrevivência - comida, água potável, medicamentos... Mas mesmo assim acho que deve ser uma experiência de vida enriquecedora e emocionante. Não me faz confusão nenhuma que eles sejam pretos (não creio que há-ja motivos para ter pudor de dizer esta palavra), muito pelo contrário, acho as crianças as "coisas" mais queridas de sempre e chamo-lhes "barriguitas". Sei que são extremamente carinhosas, aliás, nota-se pelos olhos ternos com que nos encaram.

Hoje fui passear a pé com uma colega. Enquanto esperava por ela no passeio uma senhora preta passou por mim com o filho que devia ter alguns 4 anitos. Preparava-me eu para dizer "Bom dia" já a senhora o tinha dito e o menino, de olhos brilhantes e um chupa-chupa na mão, parou á minha frente, olhou-me e repetiu o "bom dia". Sorri por me lembrar dos "barriguitas" que ainda um dia hei-de conhecer e entretanto a senhora (que sorriu também com a cara do filho a olhar para mim), disse-me adeus, a seguir virou-se para o filho e disse "diz adeus à menina", ele virou-se novamente para mim e com um sorriso encantador soltou um "adeus". Isto pode até parecer muito desinteressante e simples, mas garanto-vos que há muitos "brancos" que passam às vezes por mim neste contexto e nem "bom dia" nem "boa tarde". Quero com isto dizer que as pessoas devem ser vistas como aquilo que são e não pela cor da pele que têm, nem tão pouco devemos fazer generalizações porque cada pessoa tem a sua maneira de ser, de viver, de agir, e muitas vezes nem nós sabemos as histórias que as pessoas trazem com elas quando se cruzam connosco.

Aquele sorriso do "piqueno" encheu-me o coração.

 

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publicado às 20:51

Desabafo

por aesperaparavoar, em 24.10.14

Hoje vou atrever-me a fugir um bocadinho ao tema do blogue, vou permitir-me partilhar com quem me lê um tema que durante toda a semana tem sido bastante falado e que a mim pessoalmente me toca bastante, embora indiretamente. Não sou ninguém para falar deste assunto, até porque não conhecia nenhuma das pessoas envolvidas, mas sei que me pertubou bastante ter conhecimento dele. 

Na segunda-feira passada dois colegas meus receberam a (triste) notícia de que uma amiga deles tinha morrido, esfaqueada pelo próprio "pai" (entre aspas porque para mim este homem não é digno de ser chamado de "pai", porque um pai não é de todo alguém que é capaz de maltratar a própria filha, muito menos matá-la). Chamava-se Inês, tinha 16 anos e vivia em Soure, bem perto daqui. Volto a referir que não a conhecia pessoalmente, mas este caso mexeu imenso comigo. Disseram-me que era muito boa pessoa, alegre, amiga e humilde, não o posso garantir, mas quer o fosse quer não, não merecia ter tido este fim. O caso foi muito falado durante esta semana, na televisão e nos jornais. Li/vi algumas coisas. Este homem, o "pai" da Inês começou por trancar a mulher e as duas filhas em casa para garantir que elas não fugiam, depois esfaqueou a mulher e a filha mais velha (Inês) até à morte (li num jornal que ele tinha chegado a usar várias facas e que terá dado cerca de 30 facadas a cada uma - não tenho adjetivos para isto, é demasiado cruel, deplorável, inimaginável). No fim do crime ele ter-se-á tentado suicidar mas... não conseguiu (podia expressar a minha opinião sobre isto, mas julgo que seja parecida com a vossa)! A irmã da Inês, com 13 anos, também foi agredida e ficou em estado crítico, mas acabou por sobreviver - o homem parou de a atacar quando achou que ela já estava morta. Mais uma vez digo "homem" porque não sei o que chamar a este ser... muito menos quando a desculpa que deu para ter cometido este crime foi o facto de ter "ciúmes" da companheira e de não querer que as filhas sofressem com a morte da mãe. A irmã da Inês está agora sem a mãe e sem a irmã. Não imagino como se esteja a sentir, mas imagino que seja precisa muita força para voltar a encarar a vida. Não vou alongar-me muito mais, mas não fui capaz de ficar indiferente. Espero que este "homem" responda pelo crime que cometeu, embora pessoalmente ache que nenhuma pena é suficiente para este caso. E espero que a Inês e a mãe sejam recordadas com um sorriso, e que descansem em paz. E que a menina que sobreviveu tenha a força suficiente para sobreviver a esta fase sombria. 

É incrível como de um dia para o outro a nossa vida pode mudar e até mesmo deixar de existir, ainda mais incrível é quando os motivos são estes. Não é nada comigo, mas custou-me na mesma. Custa-me saber que há pessoas capazes de tais monstrusidades e outras que sofrem à custa disso, sem qualquer culpa. É realmente triste.

 

 

 

 

 

 

 

 

Uma das muitas notícias escritas sobre crime aqui (JN)

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publicado às 22:54


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