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Um dia todos nós somos obrigados a sair do casulo e a arriscar um primeiro voo.
Já estou bem, já me lembro de quase tudo. Preciso de um abraço. Só isso, de um abraço. E de tranquilidade.
Já sei quem sou. Reconheci-me. Na minha cabeça compôs-se um tapete de recordações e veio-me à memória a avó Estela, a carta com que me despedi quando vim para França e o caminho que percorri para cá chegar. “Sou louca”, pensei. Duvido do caminho que escolhi, mas não me vale de nada. Quero levantar-me, mas o meu corpo rejeita. Examino tudo à minha volta na tentativa de encontrar alguma coisa que me tenha escapado e que me ajude a sair deste sítio tão pouco acolhedor, e só paro quando me apercebo da presença de uma campainha ao meu lado, para chamar a enfermeira. Pressiono o botão com toda a força que tenho, não é muita. Pressiono uma vez, duas, três, até que me canso e decido chamá-la.
– Por favor, enfermeira! – A voz sai-me falhada e sinto inutilidade nas minhas palavras.
Espero, que mais posso eu fazer?