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Prisioneira (continuação)

por aesperaparavoar, em 03.09.15

A porta abre-se subitamente e eu estremeço. Sinto um arrepio e uma sensação de medo que nunca me foi característico.

- Camila! Já te dissemos que tens de alimentar, porque é que não tocaste no almoço?

A pergunta perde-se na falta de resposta. Não me lembrei de comer. Aqui não me reconheço, não sou eu, e não tenho muitas palavras.... desvanecem-se quase todas na angustia que me preenche os dias, e na revolta com que suplico para que me tirem daqui. Ninguém me ouve, ou então, fingem não ouvir. E eu volto a sentar-me no chão gelado, aninho-me e abraço as minhas pernas com toda a força que ainda me resta, depois poiso a cabeça sobre elas e fico assim horas e horas. Perdida. 

Ao jantar ouço novamente palavras semelhantes às do almoço.

- Carlota tens de comer para depois tomares os medicamente, anda, levanta-te! Come!

Arrasto-me pelo chão até chegar ao sítio onde o enfermeiro me deixou o tabuleiro e fico a olhá-lo fixamente. 

- Come! - repete-me, com frieza. 

É neste momento que, muitas vezes, as lágrimas me percorrem o rosto. A dor torna-se tão forte e insuportável que choro compulsivamente e dou por mim a implorar novamente que me tirem daqui, que ao menos me deixem ver a luz do sol e sentir o vento a baloiçar-me os cabelos. Já nem me atrevo a pedir que me deixem pisar a areia da praia e dar um mergulho no mar. E eu queria tanto fazê-lo.

Grito, mas, ninguém me ouve. 

 

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publicado às 12:36

Hoje falo-vos de uma estrela: Leonor

por aesperaparavoar, em 05.09.14

Decidi escrever este post aqui no blogue porque a história da Leonor sempre causou grande impacto em mim. Esta menina tinha 5 anos e, mesmo sabendo que tinha um cancro a lutar contra ela, nunca deixou de sorrir nem de espalhar alegria junto às pessoas à sua volta. Vi-a várias vezes em programas de televisão: a Leonor tinha uma força imensa, tão imensa quanto a sua vontade de viver. O cancro venceu esta batalha, mas creio que antes dele ter ditado esta última vitória a Leonor já tinha ganho muitas outras. Ela aceitou o cancro e soube viver independentemente das limitações que ele lhe causou, lutou contra ele enquanto pôde. Acredito que ela tenha sido muito feliz durante os seus 5 anos de vida, acredito que ela ainda tivesse muito mais para viver e para nos ensinar, e muitos sorrisos para partilhar. Não imagino o quanto a família da Leonor estará a sofrer, mas tenho a certeza que a Leonor é agora uma estrela que brilha num novo sítio, uma lição de vida para todos nós, e uma inspiração, sobretudo para outras crianças e adultos que sofrem de cancro. E estou certa de que a Leonor estará a sorrir, num reino distante de nós, mas onde ela continua a ser sempre a princesa Leonor.

 

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publicado às 14:08


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