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Café

por aesperaparavoar, em 29.10.15

Levantei-me do sofá - o tal que me tem acolhido durante dias a fio - e ousei vestir-me para sair. Num impulso saí de casa. Há muitos dias que não o fazia, há dias consecutivos que vivo numa vida sem vida que me fez perceber o que o nosso caminho é feito de muitas voltas e de idas sem volta, e que a vida pode ser cruel e certeira ao ponto de acertar no centro das nossas fragilidades. A mim, acertou-me em cheio, naquele dia fatídico em que me roubou um pedaço de mim. O homem que ensinou que a felicidade está nas coisas mais simples e que os pequenos detalhes fazem toda a diferença. A pessoa que me trouxe a serenidade por me fazer perceber que a sorrir é tudo muito mais fácil de se viver. O amigo, o companheiro, o namorado - quase marido - que durante tantos anos me fez sentir que tínhamos a vida aos nossos pés, e que éramos dois a lutar, por nós, pelos nossos sonhos, pelos sorrisos, pela vida e, acima de tudo, por uma vida juntos.

Assim que desci as escadas do prédio senti o olhar dos vizinhos sobre mim. Senti também a preocupação, que talvez fosse apenas curiosidade, de me virem perguntar como eu estava e, na verdade, percebi imediatamente porque me deixei ficar presa em casa todos estes dias. As perguntas e os olhares de compaixão das pessoas fazem com que a minha cabeça repita constantemente momentos que anseio atenuar nas minhas memórias e, embora eu saiba que o tempo não vai fazer com que eu os esqueça ou com que eles deixem de doer dentro de mim, espero que ele sirva para fazer com que esta dor acalme e o meu coração sossegue. 

Pouco depois, e num movimento quase mecânico, sentei-me na mesa onde costumávamos sentar-nos sempre. Pedi um café. Nunca um café teve um sabor tão amargo para mim.

 

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publicado às 20:07

As pessoas que gostam de nós

por aesperaparavoar, em 17.05.15

Este é um post que já andava para partilhar à algum tempo. Na vida cruzamo-nos com muitas pessoas, óbviamente identificamo-nos mais com umas do que com outras, ou não fossemos todos diferentes. A questão dos afetos é, muito provalvelmente, a mais delicada de todas. Mesmo sem nos apercebermos muitas das coisas que fazemos e especialmente como as fazemos partem da forma como as vemos e dos sentimentos que elas despertam em nós. Desde que nascemos que estamos (ou assim é comum) rodeados de pessoas. Começamos por conhecer uma família e, logo aí, existem familiares com quem temos mais afinidade do que outros. Costumo dizer que há familiares que o são sem nunca o terem sido. Mesmo dentro de uma família há pessoas tão distantes de nós, algumas que só vemos de ano a ano ou outras que vemos de vez em quando e quase que agimos como se nos fossem desconhecidas, tal é a falta de confiança e de laços entre nós. À parte da família, temos depois outras pessoas. Costumo dividi-las em três grupos: os amigos, os conhecidos e os desconhecidos (necessáriamente por esta ordem). Quando eu era pequenina e andava na escola primária eu achava que tinha imensos amigos - talvez na altura até tivesse - e que iríamos todos dar-nos bem para sempre. Com o passar dos anos aprendi que nem todos aqueles que conhecemos são efetivamente nossos amigos. Acho que o conceito de amizade fica muito mais nítido quando começamos a crescer e a perceber que há pessoas que só estão connosco por rotina, e não por gostarem de nós ou se preocuparem connosco, aliás, com algumas delas a situação é exatamente o oposto. 

Um amigo é mais do que um colega que está todos os dias connosco no mesmo espaço e com quem de vez em quando até temos uma conversa mais ou menos superficial. Um amigo é alguém que está connosco nos bons e nos maus momentos, que nos conhece, nos aceita e nos respeita, e em quem sabemos que podemos confiar. Um amigo não precisa de estar connosco todos os dias, a toda a hora, pois há muitas formas de estar presente sem ser preciso estar todos os dias com uma pessoa. E tudo isto faz a diferença. Um amigos preocupa-se connosco e repreende-nos se tivermos errados. Caminha connosco, gosta de nós. 

 

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publicado às 08:59

Há pessoas...

por aesperaparavoar, em 01.10.14

Há pessoas que entram nas nossas vidas sem nós nos darmos conta. À partida cruzam-se no nosso caminho "por acaso", e só mais tarde nos apercebemos que talvez não tenha sido "por acaso". Acredito que tudo tem uma razão de ser, mesmo as coisas menos boas. Há pessoas que passam na nossa vida e nos trazem alegrias e nos ajudam a caminhar no sentido certo, outras atravessam-se no nosso percurso para nos tentar desviar e para nos testar. Todas elas deixam um pouco de si e levam um pouco de nós. Todas elas nos ensinam alguma coisa, nos mostram algo que sem elas seriam impossível nós percebermos. Hoje agradeço profundamente ter-me cruzado com algumas pessoas, quer por razões boas ou menos boas, porque de certa forma, todas elas me fizeram evoluir e aprender a ser forte. Todas deixaram as suas marcas.

Porém, há ainda pessoas que não vão, ficam. Ficam connosco porque têm de ficar. Ficam porque temos sempre algo a aprender com elas. Ficam porque fazem parte de nós e tornam-se tão imprescindíveis que não faria sentido elas partirem. Tenho algumas pessoas assim na minha vida, não muitas. Muitas já passaram por mim, outras sei que estão agora mas vão seguir caminho, mas essas, aquelas que eu sinto como parte de mim, eu sei que irão ficar. E eu espero mesmo que fiquem, porque é bom sentirmos que há pessoas que não desistem de nós e ficam. Ficam na nossa vida.

 

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publicado às 22:03


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