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Um dia todos nós somos obrigados a sair do casulo e a arriscar um primeiro voo.
O passado já lá vai, o presente vive-se agora, o futuro logo se vê. Este é o lema.
Por vezes o passado torna-se tão presente nas nossas vidas que nos impede de seguir em frente, de aproveitar as oportunidades de cada dia e de ser felizes com a vida, connosco, com os outros. Na verdade, é importante conseguirmos arrumá-lo na nossa vida. Ele fez parte de nós, com tudo o que nos trouxe de bom e de mau, ensinou-nos muitas coisas, permitiu que nos cruzássemos com vários tipos de pessoas e que vivêssemos as mais variadas situações, mas já lá vai. Passou. Agora é preciso rematar todas as pontas que ficaram soltas, arrumar todas as memórias, ainda que sempre com a consciência de todas as lições de vida que retirámos e de tudo o que vale a pena recordar. Há um presente para ser vivido e é preciso saber encará-lo com um sorriso. Recomeçar não significa esquecer tudo o que já passou, até porque tal não é possível, mas significa adotar uma nova postura na vida. Caminhar na direção do futuro com confiança, com carisma, com felicidade. E isso é possível.
Quanto ao futuro, não vale a pena tentar adivinhá-lo nem desperdiçar o presente com receio do que virá. Um dia de cada vez. As coisas acabam por tomar o seu rumo, e no fim, tudo acaba como tem de acabar.
Positividade, vontade, determinação, força, atitude. A energia que nós exteriorizamos é aquela que atraímos!

Olho para trás num retorno ao meu passado. Não sou refém do passado, mas foi ele que ditou muito do que sou. Foi nele que me construí e é a bagagem que trago comigo. Uma mala recheada de coisas boas e menos boas. Algumas verdadeiramente infelizes, mas foram sobretudo essas que me obrigaram a conhecer a força que tenho dentro de mim. Foi graças aos momentos difíceis que aprendi a dar mais valor aos pequenos gestos, às palavras ditas em silêncio, muitas vezes através do olhar, e claro, dos sorrisos, das gargalhadas genuínas que a vida nos permite.
É passado, inclui umas coisas melhor resolvidas do que outras, mas as pontas soltas vão sendo rematadas com o tempo, ou então, vão-se desapegando da malha, ainda assim, de vez em quando não resisto... perco-me nas memórias de uma menina que, embora insegura, sempre soube muito bem o que queria. Uma viagem que acaba por nunca ser breve, não ouvessem tantas questões suspensas pelo passar do tempo, pelo que ficou por dizer ou fazer, e até pelas pessoas que por um ou outro motivo foram saíndo da nossa órbita. As lembranças, só por si, fazem-me parar e por momentos quase que volto a ser aquela menina outra vez. E o passado torna-se presente... O cheiro da terra remexida e os pés pretos de andarem descalços. O sorriso desinteressado de quem levava uma vida descomplicada. O brilho no olhar e a vontade de estar constantemente em movimento. O desconhecimento dos problemas e da sua dimensão. A inquietude de quem tem uma vida pela frente e sonhos para concretizar. A ingenuidade de quem ainda acredita em contos de fada, embora sempre tenha desconfiado deles. O desejo desenfriado de viver simplesmente porque a vida é bela.
Saudades? Tenho muitas, mas não voltava atrás! Já vivi, já senti, já cheirei e saboreei. Já tive, já fui. Já passou. É claro que há sempre uma tendência de querer voltar e mudar as coisas, mas não é assim que a vida funciona, muito menos depois das nossas escolhas e decisões já terem influenciado tudo o que veio a seguir. É esse o desafio. Viver, com tudo o que isso implica.
Agora sigo o caminho para o qual a vida me foi encaminhando e que eu própria fui traçando, em parte. Um pouco daquela menina continua vivo em mim, o resto, vem na mala. E fora as lembramças, continuo em viagem, pela vida.
